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09/04/2022 às 10h40min - Atualizada em 08/04/2022 às 15h48min

PSB indica Alckmin para vice, e Lula enaltece experiência de ambos para o Brasil

Reunião em São Paulo conta com participação do petista e do ex-tucano, que devem formar chapa

RTV Cris Sekeff - rtvcrissekeff.com.br
Marlene Bergamo/Folhapresse

O PSB indicou formalmente o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) para compor a chapa do ex-presidente Lula (PT) como candidato a vice-presidente. A indicação foi feita em reunião com os presidentes do PT e do PSB, nesta sexta-feira (8), em São Paulo, da qual também participaram Lula e Alckmin.

Em discurso ao lado de Alckmin, Lula enalteceu a experiência de ambos. "Nós vamos precisar da minha experiência e da experiência do Alckmin para reconstruir o país, conversando com toda a sociedade brasileira."

"Estamos dando uma demonstração muito forte ao Brasil", seguiu Lula, referindo-se à aliança entre antigos rivais. O movimento foi defendido como necessário para superar Jair Bolsonaro (PL).

"Este dia para mim é importante. Alckmin, eu tenho certeza que o Partido dos Trabalhadores irá aprovar o seu nome como candidato a vice", disse o ex-presidente. "Você será recebido como um velho companheiro dentro do nosso querido Partido dos Trabalhadores."

Depois de ser chamado de senhor por Alckmin, Lula afirmou querer "estabelecer um critério de relação". "Daqui pra frente, você não pode mais ser tratado de ex-governador e eu não posso ser tratado de ex-presidente. Você me chama de companheiro Lula e eu chamo você de companheiro Alckmin."

Lula ressaltou que já foi adversário de Alckmin e de outros tucanos, mas que o tratamento entre eles sempre foi civilizado. O petista falou em "tentar esclarecer à opinião pública uma coisa que muita gente agora está percebendo: feliz era este Brasil quando a polarização se dava entre PSDB e PT".

"Ninguém tem mais experiência em ser vice do que o Alckmin, ele foi vice do Mário Covas, um companheiro turrão", continuou.

Lula comentou a relação histórica entre PSB e PT. "É plenamente possível duas forças com projetos diferentes, com princípios iguais, podem se juntar num momento de necessidade do povo. [...] Temos que provar à sociedade brasileira que o Brasil está precisando de amor e não de ódio", disse o petista.

Ele criticou o que chamou de política de ódio de Bolsonaro, a quem chamou de genocida.

"Essa chapa, se for formalizada, não é só para disputar as eleições. Talvez ganhar seja mais fácil do que a tarefa que nós teremos pela frente para recuperar esse país", completou Lula, ressaltando que irá se "dedicar de corpo e alma".

O ex-presidente afirmou ainda que o PSB irá participar da elaboração do programa de governo e da montagem do governo, se a chapa for vitoriosa. "Antes disso, a gente vai ter que combinar como ganhar as eleições", disse.

Em seu discurso, Alckmin falou em grandeza política e desprendimento. "A política não é uma arte solitária. A força da política é centrípeta. Nós vamos somar esforços para a reconstrução do nosso país", disse o ex-governador.

"É lamentável, presidente Lula, eu que entrei na vida pública como o senhor lá atrás para redemocratizar o Brasil, nós termos hoje um governo que atenta contra a democracia e atenta contra as instituições. [...] O inverso de boas instituições é a autocracia. [...] O resultado é a maior crise das últimas décadas", completou.

Alckmin mencionou o crescimento do PIB no último ano de Lula e disse querer recuperar o emprego, além de combater a violência e a miséria. Ele declarou colocar seu nome à disposição com entusiasmo e esperança.

Depois da polêmica despertada ao dizer que aborto deve ser questão de saúde pública e após minimizar a fala dizendo-se pessoalmente contra o procedimento, Lula equiparou a Bíblia e a Constituição ao falar de direitos.

"É só pegar a Constituição, pegar a Bíblia e pegar a Declaração Universal dos Direitos Humanos que ali está tudo escrito o que o povo tem direito e que a gente não consegue cumprir", disse.

Depois da reunião, Lula e Alckmin almoçaram juntos.

Formalizada a indicação do PSB, o diretório nacional do PT deve se reunir no próximo dia 14 para indicar a chapa para aprovação durante o encontro nacional do partido, em 4 e 5 de junho. Em 30 de abril, está previsto um ato público com a participação de Lula e Alckmin. ​

Enquanto a aliança nacional foi selada, a divergência entre PT e PSB em São Paulo seguiu sem solução, com Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB) reivindicando a cabeça de chapa. O cenário em que dois concorram separadamente também é provável.

Haddad não foi à reunião —ele está em viagem pelo interior. Da parte do PT, além de Lula e da presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, participaram os deputados federais José Guimarães (CE), Paulo Teixeira (SP) e Reginaldo Lopes (MG); o senador Paulo Rocha (PA); o deputado estadual Emidio de Souza; o secretário de comunicação do PT, Jilmar Tatto; e o presidente da fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante.

A comitiva do PSB incluiu Alckmin; o presidente da sigla, Carlos Siqueira; o ex-governador França; os deputados federais Danilo Cabral (PE) e Alessandro Molon (RJ); o prefeito João Campos; o governador Paulo Câmara (PE); o deputado estadual Caio França; e o ex-prefeito Jonas Donizette.

A indicação também foi formalizada em carta do PSB ao PT. "Essa proposição não se limita apenas ao aspecto eleitoral e envolve uma dimensão programática", diz o texto.

Segundo a carta, "a composição de uma frente ampla exige a formulação de um programa que corresponda às perspectivas das forças que a compõem, tanto em termos políticos partidários quanto o que se refere aos segmentos da sociedade civil que tal frente pretende representar".

Na prática, o PSB reivindica participação na campanha e no programa de governo do PT. O documento afirma ainda que o PSB apresentará um programa e pretende que ele seja incorporado na plataforma de Lula.

Segundo o PSB, "a democracia não pode ser uma fórmula vazia" e é preciso assegurar cultura, saúde, educação e prosperidade aos brasileiros.

A carta, assinada pelo presidente do PSB, afirma que "o que estará em questão na eleição de 2022 é o confronto decisivo entre democracia e autoritarismo".

Desde que a aproximação entre Lula e Alckmin foi revelada na coluna Mônica Bergamo, da Folha, em novembro passado, o ex-governador percorreu o caminho esperado para selar a aliança —deixou em dezembro o PSDB, partido que ajudou a fundar, e se filiou ao PSB, principal legenda a embarcar na campanha do petista até agora.

Em paralelo, PSB e PT negociavam uma federação, que não saiu do papel —a aliança foi formada apenas entre PT, PV e PC do B.

Embora a federação não tenha vingado, já havia a garantia de que o PSB apoiaria Lula e de que o acordo para que Alckmin ocupasse a vice estaria preservado apesar das divergências entre as siglas nos estados, sobretudo em São Paulo.

Integrantes do PT e do PSB esperam que Alckmin tenha protagonismo na campanha para o Palácio do Planalto e também em um eventual governo, embora seus papéis ainda não estejam totalmente definidos.

Alckmin comandou o governo paulista entre os anos de 2001 a 2006 e entre os anos 2011 a 2018, por quatro mandatos. Ele assumiu o cargo pela primeira vez devido à morte de Mário Covas, de quem era vice-governador, e no ano seguinte se reelegeu para comandar o estado paulista.

Informações Folha de São Paulo


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